Foi num entardecer frio de outono em Copacabana.
VENDO o acariciar do mar sobre a areia, pude perceber um pacote trazido pela água, indo e vindo no balanço das ondas. Reluziam nele os últimos raios do sol daquele dia que eu observava se pôr enquanto fumava meu último cigarro.
Levantei o olhar, curioso, e pensei com meus botões:
- Vou lá ver que porra é essa!
Tinha o costume de andar olhando para o chão esperando que meu dia de sorte chegasse, depois de tanto praticar “a lei da atração”. Vivia a procurar uma nota de dinheiro perdida, um trevo de quatro folhas que fosse.
Peguei aquele pacote e abri com um sentimento bom e profundo, na esperança de ser um grande achado. Senti-me como uma criança tomada por um “espírito natalino”, coisa que já havia deixado adormecer há muito tempo.
Era algo que hoje posso classificar como um DISCO, fino, relativamente pequeno, uns doze centímetros de diâmetro ou nem isso, com um furo no centro. Às vezes reluzia um arco-íris conforme incidia a luz. Não tinha cheiro, nem gosto. De comer é que não era. Limpei e guardei no bolso de dentro DO meu terno.
Chegando em casa, mostrei para ROBERTO, um de meus colegas da pensão da Dona Tutti (Frutti), o que o mar havia me trazido. Chegamos à conclusão de que só podia ser um enfeite hippie novo, afinal, em 1976, o que mais se comentava era a chegada da “Era de Aquário”. Se era ILEGAL não sabíamos, mas era muito jóia!
Perdíamos horas olhando o reflexo colorido que ele produzia na parede. Melhor que assistir às novelas em preto e branco, pois isso me fazia sentir mais IMORAL que ir no show do Sex Pistols OU mesmo no “Saquastock” que, confesso, foi um desastre, mês passado aqui no Rio…
- Mas, largue esse pacote já! Mirabel faz farelo e só ENGORDA, guri! Ainda por cima não alimenta e estraga a janta.
Com a Dona Tutti era assim naquela época. Não deixava nem a gente concluir nossos pensamentos que já ia mandando fazer alguma coisa, dar licença para ela passar, abaixar o volume da vitrola, enfim. Mas era nossa “mãezona”. Graças a ela, que guardou as nossas coisas com tanto carinho mesmo depois que deixamos a pensão, hoje posso dizer que tenho ainda, INTACTO!, o primeiro CD que já existiu. Presente que o mar me trouxe diretamente do futuro. Simplesmente uma brasa, mora.
Primeiro trabalho do semestre, redação publicitária ;P
não ficou lá aquelas coisas, mas eu preciso postar aqui, então vai ele mesmo, pq tempo para preparar outra coisa não tá rolando…