Agora sim: Pérolas de um filme fantástico chamado Tapete Vermelho.

Lendas, superstições, causos, ideais em voga e lembranças de uma época que não volta. Da reforma agrária ao Mazzaropi, passando pelo universo místico de crendices brasileiras. Uma crítica à imagem que as pessoas têm do cinema nacional. O império das igrejas que só pensam em arrecadar dinheiro, versus a fé que move montanhas.
O filme Tapete Vermelho traz um resgate da memória do verdadeiro caipira brasileiro. Quinzim, o personagem principal, é um Jeca Tatu, bem como o personagem criado por Monteiro Lobato e que inspirou o nascimento de Mazzaropi.
Joaquim, “Quinzim”, prometeu ao pai que levaria o filho para ver o Mazzaropi e conhecer o cinema. Sai então da roça em busca do cinema mais próximo, carregando consigo seu filho Neco, a mulher Zulmira (a contragosto) e o burro da família, Pelicarpo.
Zulmira: – “ Diversão de pobre é ir no armazém e encher a sacola, isso que é bão, o resto é perca de tempo, firula. Coisa de Quinzim que vive com a cabeça no mundo da lua.” Ela não quer ir em busca do cinema, gosta de viver na roça, não gosta da cidade.
O filme traz vários personagens de índoles diferentes. Dá uma pincelada nos diferentes universos que compõem o Brasil. A diferença entre as classes sociais, presente no cotidiano dos brasileiros. A realidade do pobre, dos meninos de rua que pedem esmola para sobreviver, dos empregados assalariados, os desempregados em busca de um lugar ao sol, MST, dos caipiras, assim como o personagem Quizim, dos empresários bem sucedidos, como o dono do cinema.
Também mostra as diferentes religiosidades do país e crenças, desde a católica, a evangélica, àqueles que acreditam em simpatias, macumbas e mau olhado, que Zulmira benze. O diabo também é uma figura bastante presente na história, chamado por eles de “O Tal” (pronunciado como “o tar”), Coisa ruim. Os santos, a capela de Aparecida do Norte, o anjo Gabriel. As simpatias feitas pelo bem contra os feitiços feitos pelo mal.
Quinzim: – “Quem é que acha rã no brejo? Tá uma dificurdade. A bichinha gosta de água limpa, os sapo ta tudo sumindo do rio. Quando chove ainda se ouve umas coaxada lá pra beira do Ribeirão, mas como era no meu tempo de menino, nunca mais. Tá tudo diferente na roça, só o pobre é que não muda. É sol e chuva e nóis aqui, labitando, acreditando que um dia o céu vai se abri e dividi o mundo, joga os home bão, trabalhador, prum lado, e os mau, vagabundo, pro outro, jogado no meio do inferno. Mas acho que nesse mundo de meu Deus isso nunca vai acontecer. Só no outro…”
Pode-se dizer que o resumo do que a história quer transmitir como mensagem, está presente nesta primeira fala do filme, de Quinzim. A proposta é conscientizar o espectador de que nem todo homem é ruim, que ainda existem aqueles que são trabalhadores, que estão em busca do algo melhor e praticam o bem. Entretando, ainda há muita gente praticando o mal, qualquer que seja sua forma. O filme traz o conflito entre o bem e o mal, sem nem mesmo precisar de efeitos especiais.
Em um ponto do filme, Quinzim conhece Manuel Charreteiro e o Movimento Sem Terra (MST), onde os militantes em questão estão em busca de um pedacinho de chão para plantar e viver com suas famílias. Neste caso ele traz a imagem do homem bom, trabalhador, que por vezes (e mesmo no filme) é visto como arruaceiro, vagabundo.
Quinzim: – “O governo vai da terra? Não dá nem um saco de estrume pra nós. (…) É gente com terra demais, outros com terra de menos, é assim desde que o mundo é mundo!”
Também ao longo da história muitas pessoas tratam Joaquim, Quinzim, e sua família, com desdém. Por serem colonos, falarem com um sotaque forte, não vestirem roupas da moda e carregarem consigo um burro, Pelicarpo, são motivo de chacota pela cidade. Isso quando não são passados para traz, enganados, pelo sabichões que vivem de tirar proveito em cima dos outros.
Quando Quinzim pára para pedir informação sobre o cinema é motivo de chacota:
- “Aqui não tem mais cinema. O cinema virou esta loja. Mas pra quê caipira quer cinema? (…) Vai cuidar da sua plantação de batatas!”
Mas ele retruca, falando uma boa verdade: – “Sou jeca sim senhor, tenho minha terrinha, tenho meu nhame, não é batata não. Trabalho pra mim, não sou um empregado.”
Na hora de almoçar em quilo, o prato de Quinzim pesou muito, e ele precisou comer pouco para poder bancar o almoço.
Zulmira: – “É pouca comida e muita firula. Bando de bocó, gastam tudo em roupa.”
Esta é apenas uma entre muitas das vezes em que os “jecas” demonstram o quanto vivem melhor do que o povo da cidade grande. Na roça a realidade é outra, Zulmira é benzedeira, cura a todos com sua fé. Falando em fé, o cinema da outra cidade também fechou.
Vendedor: “- Tem cinema aqui não, moço. Tinha um, virou igreja evangélica, isso dá mais lucro que filme. O cinema estava falido, a igreja vive cheia, o povo paga para entrar.”
Com toques de crítica social ao cinema em geral, Tapete Vermelho apresenta uma crítica ao mercado de exibição de filmes, em que a maioria dos cinemas não valoriza a produção nacional. Gerenciados por pessoas que mal sabem quem foi Mazzaropi, Quizim exprime seu descontentamento um pouco antes do final da história:
- “Por que que ‘ces não vão passa os filme que eu truxe? Vô quere vê nem que a vaca tussa, ou não me chamo Joaquim Silva! (…) Bosta de Cabra! Passam tanta merda de filme nessa bosta desse cinema e não podem passa meu filme? Por quê que não dá pra passa? Seus Cú de Bóie! Gente cagão! Cú de vaca! Cú de Bôie! (…)”
É quando Quinzim resolve se acorrentar na frente do cinema, exige um tapete vermelho e filmes do Mazzaropi para sair. O dono do cinema vem, e ainda aproveita para se promover com sensacionalismo, em frente às câmeras de televisão, dizendo que vai realizar o SONHO daquele pobre homem e mais “blá blá blá”.
São muitos os toques e as críticas feitas. Alguns acreditam que o filme perdeu sua essência quando Quinzim conheceu os sem terra e a história mudou um pouco seu percurso. O importante é que o filme esta carregado de elementos a serem analisados, e cabe a cada um entender de sua maneira. Ficam alguns puxões de orelha e uma lembrança de um ícone do cinema nacional, esquecido por muitos, conhecidos por poucos das gerações mais novas, que agora terão o privilégio, assim como Neto, de admirar e dar boas gargalhadas. Sempre com um tempero de crítica social, bem como no Tapete Vermelho, também cabível a Mazzaropi.

“Bosta de Cabra! Cu de boi! Passam tanta bosta de filme nesse cinema, por que não passam o meu MAZZAROPI. O cinema nem sabe quem é o MazzarrrrrrrrrrrrrropE.” …
Enfim, chega de contar a história. Dessa vez quero que assistam (se é que alguém lê isso) e comentem o resto que perceberem.
Mentira, ok, eu confesso!
O post eu escrevi à mão no meu caderno e deixei lá em BC, junto com todo o resto dos meus materiais que estão encaixotados na casa do meu amor…
Então dei uma pincelada e o resto fica a critério de vocês, pq eu realmente to querendo postar já!
O filme é carregado de críticas e ao mesmo tempo é mágico, simples, emocionante, enfim, encantador.

Assistam! Matheus Nachtergaele faz o Jeca perfeito, melhor que ele só o próprio Mazzarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrope.
(post reformulado em Maio de 2008, após um trabalho de aula em que escolhi este mesmo filme para encontrar nele aspectos da realidade brasileira, trabalho do Magru, assim como o ônibus 174, que postei no dia certo)
você diz que eu nunca comento, mas a verdade é que eu não sei o que comentar.
Eu leio, adoro, mas nunca sei o que comentar!
só estou comentando aqui pra ficar bem claro que eu leio sim teus posts e gostei de todos que eu ja li xDD
bejo alinaaa ;**
mor…
tu sabe q eu adorei esse filme!!!
te amo pra sempre minha vida!!!
agora vamos ver se o coment vai hehehe
(L)
qq deu com esses comentarios ;/
vou fazer um teste ;/
Uiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa finalmente achei o link neh sua pulga :p
nao assisti ainda.. mas vou
é bao mesm?
olha… eu to lendo!
li o post todo, mas não saquei metade…
o burrinho é maior que o carinha apskpaskpkpas
parece filme nordestino -.- bem sofrido ainda
akpskpapkskaps
feliz natal alineeeeeeeeee!
beijos!