Ser imaginativo é o mesmo que ser criativo. Ou diria mais, é o grau superlativo da criatividade. Essa era a impressão que tinha quando ingressou em propaganda. Toda colorida.
Ingenuidade. Caiu por terra já no primeiro semestre.
Na disciplina de redação publicitária criação teve sua teoria descomprovada (maneira como classificava uma comprovação negativa). Mas ainda apostava suas fichas no plano B de ser uma redatora de sucesso. Escrevia bem, conjugava corretamente os verbos e sabia concordar tempo e plural.
Chegou ansiosa ao primeiro dia de aula, redação mídia impressa I: caderno, caneta e Lápis de cor na bolsa. O compêndio do que pode e não pode suportado por exemplos de sucesso. Desapontamento e dedicação. Gostava de ler, pôs-se a pesquisar.
Quinto semestre e a teoria da imaginatividade começava a se desaplicar também a outras áreas. A pílula vermelha surtia o efeito. Não gostava de autoavaliações, mas as fazia diariamente, o tempo todo, 24 horas por dia, subindo para cima e descendo para baixo.
A idéia de racionalizar provocava suspiros nas próprias idéias. Disciplina de redação mídia impressa II: um zilhão de recursos estilísticos saborosos como o fanatismo que nutria pelo pão de queijo de sua cidade natal. Uma nota nove e a vida já não parecia tanto com roteiro B.
Nada ideal, mas agora era a teoria semiótica que trazia para sua vida mais sentido do que nunca.

